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A POLÊMICA DOS “FOOD TRUCKS”

Neste sábado Canela, através do Rotary Clube, recebeu mais um evento de food truck em Canela. Como das outras vezes este evento também foi cercado de muita polêmica. De um lado os defensores da ideia e do outro aqueles que a acham fora de contexto.

Acho o evento sensacional pois tem um caráter beneficente, já que 10% da renda é destinada a instituições de caridade. Também considero o evento uma atração, pois estimula a vinda de pessoas para Canela. Gosto muito do conceito dos food trucks, pois temos a possibilidade de desfrutar de alimentos de qualidade, com variedade e num ambiente ao ar livre, estimulando a convivência social maior.

Entretanto quero fazer algumas considerações que considero pertinentes e que, na minha humilde opinião, podem servir para que o mesmo traga, além do caráter social, um incremento para o turismo local e uma melhora de sua imagem perante o comércio gastronômico de Canela. Para começar as datas do evento. Acho um desperdício a realização deste evento nos períodos onde a cidade se encontra com sua lotação plena. Além de não potencializar a atração de um público de fora, esta data acaba por inibir um pouco a participação da comunidade pois, muitos cidadãos acham um transtorno sair as ruas nestes dias. Eu por exemplo pago para ficar em casa em datas como páscoa, natal ou alta temporada de inverno. Além disso, o evento acaba por, naturalmente, diminuir o movimento dos restaurantes locais que esperam o ano todo por essas datas e, na hora de desfrutar o filé mignon, acabam por ter uma concorrência que, de certa forma, acaba por ser desleal. Não acho válido o argumento de que o investimento com food truck é tão ou mais alto que o de um restaurante convencional. Basta uma rápida pesquisa no preço dos alugueis pagos mensalmente pelos estabelecimentos gastronômicos da Osvaldo Aranha para desmontarmos este argumento.

Outro ponto que considero que deva ser revisado é o local do evento. A área central já possui restaurantes, bares e similares e acho que, por sua natureza, o mesmo deveria ser realizado num local mais amplo, como por exemplo o Parque do Lago ou até mesmo o Parque do Palácio. Acredito que isso contribuiria para revitalizar estas áreas e criar um novo ponto turístico e gastronômico. Se a ideia for manter em datas de amplo fluxo, seria ainda mais necessária esta medida. Bloquear aquela quantidade de vagas de estacionamento, bem como uma rua de fluxo grande acaba por prejudicar a chegada de turistas aos estabelecimentos do centro, gerando mais um atrito com o comércio.

Como disse acho o caráter do evento amplamente louvável. Mas não podemos achar tudo bom simplesmente porque é um evento beneficente. Convenhamos que pagar 10% para ter seu food truck no centro de Canela, em um período de movimento altíssimo é muito mais que caridade para os donos das barraquinhas, é um negócio da China!

Além disso não podemos simplesmente deixar de ouvir o comércio que é composto de pessoas que, em sua maioria, são sensíveis as causas nobres e ajudam muito durante o ano todo. É preciso que as partes sentem e discutam uma solução que fique boa para todos ou esta ideia brilhante vai acabar sendo mais um motivo de brigas e discussões típicas do nosso radicalismo gaúcho.

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8 thoughts on “A POLÊMICA DOS “FOOD TRUCKS”

  1. Discordo quando se afirma sobre o período da realização. É melhor quando a cidade tem mais movimento. Se fosse em baixa temporada certamente o comércio local também reclamaria. Pois afirmaram que o mvimento já é baixo e ainda teria esse evento para tirar os poucos clientes. Enfim é um evento que neste ano ocorre em apenas 4 dias. Restam outros 361 para o comércio local “fazer a diferença”.

  2. Pura asneira!
    Esquecendo de falar que o pessoal donos de restaurantes tem a mania de aumentar os valores nas épocas de festas. Uma época eles “davam” descontos para os moradores hoje só visam o lucro é nem sempre o atendimento é bom!

  3. Discordo da visão do autor. O movimento de food truck é mundialmente conhecido por atrair público e revitalizar espaços ao ar livre. Outro fator importante é da acessibilidade das pessoas a gastronomia étnicas de várias partes do mundo à um preço acessível. Isso estimula que o comércio local inove e ao mesmo tempo cobre preços mais justos do público, que por se tratar de rota turística de alta demanda acaba por inflacionar o valor da alimentação. Sobre as vantagens de se fazer o evento e destinar ”apenas” 10% para benemerência como citado pelo autor, desconsiderando os custos de deslocamento dos trucks de fora, pessoal, insumos de alta qualidade em um ticket médio de R$ 25,00 em média. Existem estudos do Sebrae que apontam que os custos de operação de um Food Truck são equilibrados com os de uma loja física. Aí fica a pergunta? Devemos fechar as portas das cidades para este tipo de gastronomia por impactar o empresário local? Ou devemos incentivar a livre iniciativa, o empreendedorismo, a inovação, a qualidade e o bom atendimento? Será Bairrismo ou visão provinciana? Duas cidades na serra gaucha mudaram a sua visão a tempos atrás e hoje são auto-suficientes com o turismo: Gramado e Bento Gonçalves. Ao invés de falarmos sobre a concorrência dos food trucks o que acham de falarmos do aeroporto regional em Vila Seca, que beneficiaria toda a serra gaúcha, atraindo investimentos, incrementando o turismo, estrategicamente e viável economicamente, pois atende o turismo da região das hortênsias e Bento Gonçalves e o transporte de cargas da produção da nossa serra gaúcha? Pensamento progressista amigos.

    1. Olá Carlos. Foi exatamente por entender e concordar com o que escreveste que fiz o texto. Acho que existe uma confusão sobre o que está escrito. Justamente por revitalizar áreas e servir de imenso atrativo que sugeri que o evento seja feito em outras áreas da cidade. Facilitaria o acesso e estimularia outras formas de comércio. Abs e obrigado pela leitura!

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