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O LUXO DO LUTO…

Hábito praticamente em desuso nos dias de hoje as roupas de luto do início do século eram simplesmente um luxo. Afinal todas as roupas eram peças de muito glamour até mesmo nos momentos em que se perdia um ente querido e todo um ritual de velório e enterro aconteciam. Mesmo nesses momentos imperava o luxo e a riqueza de detalhes em roupas especiais para a ocasião.

Homens e mulheres assim como crianças sempre possuíam em seus armários roupas pretas para qualquer eventualidade… o luto.

Costureiros e estilistas da época eram especialistas em criar modelitos para essas ocasiões e não poupavam detalhes e nem tecidos de valor assim como acabamentos primorosos.

Uma senhora ao perder seu esposo tinha obrigação social de manter luto fechado (ou vice verso) por menos meio ano. s roupas eram totalmente pretas sem decote algum e mangas longas. Vestidos mais longos e meias pretas.

Seguia-se então mais meio ano de “meio luto”, onde já se incorporava algum detalhe em branco, mas mínima coisa.

Festas nem pensar e evitava-se inclusive o convívio social em respeito ao ente que se fora.

Os filhos usavam preto pelo mesmo período e sobrinhos e netos usavam faixas negras na parte superior do braço como forma de respeito e para que a sociedade reparasse que estavam enlutados.

Muito comum na época algumas viúvas manterem luto para o resto da vida, e para isso usavam preto até o final da vida assim como as duas alianças no dedo. O uso das duas alianças representava que não mais quereria manter outro matrimônio. Muito comum também do enlutado e que não mais iria casar-se era de manter um manto preto na janela ou na porta da casa mostrando a sociedade sua abstenção a um futuro novo relacionamento.

As viúvas passavam a ter uma vida recatada. Saiam pouco e quando o faziam jamais mostravam os cabelos. Esses se mantinham presos, com coques discretos. Usavam chapéus , casquetes e capelinas e comum também o uso de véu não mostrando o rosto e pescoço em público ou nas ruas. Praticamente se enclausuravam em casa, com pouco convívio em sociedade e se escondiam por trás de véus e tecidos pretos.

Vale comentar que as viúvas não mostravam os cabelos pois na época os cabelos soltos eram tidos como argumento de sedução , apenas soltavam para lavar e dormir.

Já os homens viúvos também mantinham seu recato, não mais frequentando eventos sociais e usando as duas alianças para mostrarem que não tencionavam outro relacionamento. Descartavam também qualquer cor de rupa que não fosse o preto com camisa branca. Afinal nada que chamasse a atenção.

No início do século, muitas eram a viúvas eternas , já os homens nem tanto , afinal muitas vezes tinha muitos filhos e necessitavam casar-se novamente para que a futura esposa assumisse o lugar e a criação dos filhos.

Viúvas jovens eram praticamente condenadas a viver o resto da vida sozinhas criando os filhos e um segundo casamento era praticamente considerado uma afronta a sociedade.

Com o passar dos anos muitas tradições e costumes foram mudando e se adequando a novos tempos. Mas o luto era cobrado pela sociedade, porém a elegância não era jamais deixada de lado.

 

FOTOS: Acervo pessoal – Livro de Moda de 1910

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