Você está aqui
Home > Reflexão > O tamanho dos nossos sonhos

O tamanho dos nossos sonhos

A dimensão e importância que damos aos nossos sonhos e desejos mais íntimos correspondem a confiança que temos na sua realização. Todos temos sonhos: materiais, irreais, tangíveis, utópicos, verdadeiros, determinantes. Há quem classifique sonho como algo distante, difícil ou até impossível de realizar. Mas também há quem acredite, confie, se movimente, doe a sua essência e empregue sua força interior mais especial para que o sonho se concretize.

É através do sonho que nos permitimos “pensar fora da caixa”, que começamos a perceber se o  ambiente ao nosso redor é propício para sua realização, que reavaliamos nossas ações e desejos íntimos (para percebermos se o sonho é nosso de fato) e energizamos nossa consciência para termos clareza na hora de agir.

A consciência de sabermos quem somos, o que desejamos e para onde queremos ir, nos faz realizarmos uma viagem profunda ao interior do nosso ser. Normalmente, vivemos imersos nos desejos dos outros, do que nos é imposto ou ainda, o que aqueles familiares que tanto amamos desejam a nós – afinal, eles só desejam nosso bem. O problema é que, ao vivermos o sonho de outras pessoas, nossa essência – o que somos quando ninguém vê – vai perdendo sua força. Vai ficando vulnerável. Vai ficando inativa. E aí, vamos nos perdendo no emaranhado mundano de referências ideais. Vamos deixando de ser nós mesmos, agindo no modo automático, com pressa e em função da realização dos sonhos dos outros. E nosso tempo se vai, os amores se perdem, nossa vida segue seu curso, com pouco sentido.

Há ainda, quem viva na plena realidade, quem não se permita se quer sonhar, por receio (não gosto da palavra medo), prefere não esperar nada, pois há muito barulho dentro de si para identificar o que se quer. Ou ainda, que não se dá conta do poder que possui para conquistar o que se deseja. Quando o problema é a ignorância, não considero que estejamos agindo de forma errada. O maior problema é termos a consciência do que somos: orgulhosos, egoístas, impacientes, céticos, … – e nada fazermos para nos melhorarmos. Pois as situações vêm de acordo com nossa capacidade de lidar com elas e, se não tentarmos melhorar nosso modo de agir e pensar, vamos ficando mais rígidos e vai ficando cada vez mais difícil de percebermos nossa força, nossa singular identidade e nossa capacidade de sonhar.

Encerro com o verso de uma música que me inspira e aborda a magnitude dos nossos sonhos:

“… é preciso força para sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê…” diz Marcelo Camelo.

Kalinka Silveira

Professora e produtora cultural

 

Deixe uma resposta

Topo